Disposição, convivência, crescimento pessoal e troca de afeto
Mesmo com uma vida profissional intensa, Michele Contatto e sua família integram há um ano o programa “Apadrinhamento Afetivo” da Casa da Criança e Adolescente de Valinhos. Contribuindo para o crescimento e a construção de uma história de vida melhor, a voluntária Michele compartilha sua motivação, desafios e o propósito maior de fazer parte do “Apadrinhamento Afetivo”.
Há mais de 15 anos, a administradora Michele conheceu a instituição e desde então tem atuado como voluntária e apoiadora em diversas ações. Ao saber do curso para atuar como madrinha afetiva dos acolhidos da Casa da Criança, a voluntária se inscreveu, inicialmente sem compromisso em atuar de fato, apenas para conhecer mais sobre o novo projeto. Ao entender a dimensão, o impacto social e a importância da dinâmica desta ação na vida dos acolhidos, ela decidiu se engajar plenamente no programa.
Michele, que tem duas filhas e uma enteada, conta que durante o processo de capacitação conheceu uma acolhida de 12 anos e percebeu que ela e sua família poderiam realizar o Apadrinhamento Afetivo, apoiando o crescimento da adolescente. Como madrinha afetiva, eles têm a oportunidade de estabelecer um vínculo próximo, permitindo visitas dos padrinhos, encontros na casa da adolescente, acompanhamento individualizado de sua vida e até mesmo proporcionar uma festa de aniversário em família.
“A nossa afilhada tocou os nossos corações e, aos poucos, vamos conquistando um espaço na vida dela, que também nos aceitou como padrinhos. Para atuar no Apadrinhamento Afetivo, é importante ter além do interesse em apoiar a vida de outra pessoa, compreender a história de cada um sem julgamentos e agir de forma amorosa, porém firme, para orientar sobre limites. Propomos novas situações que possam auxiliar no processo de crescimento dela. Não se trata apenas de passear e levar a restaurantes; entendemos que precisamos atuar como uma base familiar, proporcionando afeto sincero, e não alimentar expectativas materiais como presentes. Essa geração cuidará do futuro e serão os cidadãos que farão a diferença no mundo. O desafio é grande, mas a troca afetiva e o nosso crescimento pessoal são ainda maiores.”
O programa “Apadrinhamento Afetivo” tem como objetivo motivar a sociedade a participar e criar vínculos individualizados e duradouros com os afilhados acolhidos. A convivência, mesmo que pontual, em feriados, eventos familiares, passeios e contatos remotos, deve ser contínua para estimular experiências sociais, culturais e contato familiar e comunitário. A instituição convida novos interessados a participar da formação para o “Apadrinhamento Afetivo”.
O Serviço de Acolhimento Institucional da Casa da Criança é realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de Valinhos, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social. Para fazer parte deste projeto, apoiar e obter mais informações, entre em contato pelos telefones 19 3871-0546 / 3869-5654, pelo WhatsApp 19 99576-6257.

“Nossa dinâmica busca proporcionar uma realidade mais próxima possível da vivência de crianças e adolescentes que moram com as famílias. Vamos além do que é previsto por lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente garante a liberdade de criação e o acesso a fontes de cultura, bem como recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer. Temos o compromisso de garantir o desenvolvimento integral dos acolhidos em todas as áreas, promovendo a consciência de seus direitos e deveres, o cuidado com o próximo e a ética no mundo. Ampliar as oportunidades para eles é sempre importante, e esperamos contar com mais apoiadores que compartilhem desse propósito de lazer e cultura”, explica Adriana Simões, coordenadora da Casa da Criança e do Adolescente de Valinhos.
“Cada roda de Terapia Comunitária é única e, com ela, toca o íntimo de todos os integrantes de forma transformadora. Quando a boca cala, o corpo fala; quando a boca fala, o corpo sara. À medida que a pessoa resolve suas questões emocionais, a saúde do corpo também melhora. Os integrantes desenvolvem vínculos comunitários e atuam eventualmente como uma rede de apoio solidário. As pessoas aprendem a cuidar de si, da sua saúde integral, valorizam o respeito, a empatia e o apoio ao próximo. A Terapia Comunitária Sistêmica Interativa é fenomenológica, depende de quem está atuando, dos repertórios individuais e do momento da explanação. Para conhecer essa dinâmica e entender a dimensão dos benefícios, é necessário participar de uma roda desta terapia, como as que estamos desenvolvendo na Casa da Criança”, convida Valdete Côrtes Ferreira, escritora e médica formada pela UNIFESP.
Composta por cinco encontros de duas horas cada, a capacitação realizada pela instituição promove a formação de novas famílias acolhedoras para o município de Valinhos
Ao participar dessa capacitação, cada participante terá a oportunidade de se conectar com histórias de vida, compartilhar afeto e desempenhar um papel essencial na construção de um futuro melhor para crianças e adolescentes. A coordenadora ressalta que o ato de acolher uma criança é um ato de amor incondicional que se trata de um benefício tanto para a criança, sua família e também para a comunidade.
