No dia 31 de maio é celebrado o Dia Mundial do Acolhimento Familiar, uma data que reconhece a importância das famílias que, com amor e responsabilidade, abrem as portas de suas casas para acolher temporariamente crianças e adolescentes afastados de seus lares por medida de proteção. Mais do que uma comemoração, essa data é um convite à reflexão sobre o valor do cuidado, da empatia e da solidariedade com aqueles que vivem situações de vulnerabilidade.
No Brasil, essa prática é prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei nº 8.069/1990, e tem sido cada vez mais estimulada como uma forma prioritária de proteção. O acolhimento familiar se baseia no princípio de que toda criança tem o direito de crescer em ambiente familiar, sendo uma alternativa mais individualizada e afetuosa.
“Nesta data queremos reforçar a necessidade de ampliar o número de famílias acolhedoras, de conscientizar e incentivar novos cuidadores além de fomentar políticas públicas que garantam os direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade”, destaca Karen Battaglin, coordenadora do Serviço de Acolhimento Familiar de Valinhos.
Na Casa da Criança e do Adolescente de Valinhos, o Serviço de Acolhimento Familiar iniciou em dezembro de 2014, sendo um dos pilares essenciais no cuidado e proteção da infância. O programa visa garantir que crianças em situação de risco possam viver em um ambiente familiar, afetivo e seguro, enquanto suas famílias de origem recebem acompanhamento para que possam se reestruturar. Ao contrário de instituições tradicionais de acolhimento, a proposta oferece uma vivência mais próxima do cotidiano familiar, o que contribui significativamente para o desenvolvimento emocional e social da criança.
As famílias acolhedoras passam por um rigoroso processo de seleção, capacitação e acompanhamento contínuo por uma equipe técnica especializada. Esse suporte é fundamental para garantir que o acolhimento aconteça com qualidade e que tanto a criança quanto a família acolhedora se sintam amparadas durante todo o processo. O vínculo construído nesse período, mesmo sendo temporário, pode deixar marcas positivas para toda a vida. “O acompanhamento da equipe técnica do Serviço de Acolhimento é fundamental no processo de Acolhimento, pois auxilia a compreender as necessidades das crianças e podemos atender e direcioná-las conforme suas vivências e valores, sem esse suporte o trabalho seria bem mais desafiador”, afirma Myrian Arndt, que ao lado do marido Wesley Dias, participam do Serviço de Acolhimento Familiar.
A Casa da Criança e do Adolescente de Valinhos acredita que acolher é um ato de amor transformador. Por isso, valoriza e incentiva a participação da comunidade nesse importante trabalho de proteção à infância. Celebrar o Dia Mundial do Acolhimento Familiar é também reconhecer o esforço e a dedicação dessas famílias que, com coragem e sensibilidade, contribuem para um futuro mais digno para tantas crianças.

Encerrando a programação, no dia 15 de maio, às 19h, será realizada uma roda de conversa sobre o tema “Saúde Mental em Crianças e Adolescentes: um diálogo com cuidadoras(es) e profissionais”, conduzida pela psicóloga e doutora em psicologia Juliana dos Santos Corbett. O momento também contará com depoimentos emocionantes de famílias acolhedoras que compartilham suas vivências no serviço.
Outro detalhe interessante é que foi através do jantar oferecido na “Noite do Bem Bom”, que surgiu a iniciativa da criação do Cozinheiros do Bem. Quem conta é Éder Trevisan, fundador do grupo e também diretor voluntário da Casa da Criança: “O cardápio especial é elaborado há mais de 10 anos, sempre com muita dedicação e carinho, atendendo ao gosto pessoal do Anélio, que fazia questão de sempre jantar conosco no fim da noite”, ressalta Éder, acrescentando “acredito que também será muito bom neste ano, pois ele estará olhando lá de cima e nos dando força pra seguir com seu legado.”