Mais do que uma atividade esportiva, a oficina de judô da Casa da Criança e do Adolescente de Valinhos Anélio Zanuchi nasceu com a proposta de contribuir para a formação de crianças e adolescentes por meio de valores como respeito, disciplina, concentração, autoestima e trabalho em equipe. As aulas são conduzidas por um dos voluntários da instituição, o professor Raphael Mota Salustiano, de 43 anos, que encontrou no judô, há cerca de 14 anos, não apenas uma modalidade esportiva, mas uma filosofia de vida. “O judô entra na minha vida como uma forma de me centrar no mundo, de me trazer equilíbrio e paz. Ele simboliza para mim um caminho suave, um norte para seguir vivendo e construindo o meu legado”, explica.
Morador da região do Jardim São Vicente, na divisa entre Campinas e Valinhos, Raphael decidiu levar para a Casa da Criança os ensinamentos que recebeu ao longo de sua trajetória. Em sua formação, destaca a importância dos senseis Alessandro Shiroma, Júnior Tavares e Breno Gonçalves, seu atual professor. A escolha da instituição também tem um significado especial: a Casa da Criança faz parte do território onde ele viveu e construiu sua história. “Eu escolho um lugar que está próximo da minha comunidade para devolver toda a filosofia de vida que o judô me trouxe”, conta. O professor já havia desenvolvido outras atividades na instituição e conhecia o trabalho realizado com crianças e adolescentes.
Para Raphael, a filosofia do judô e a missão da Casa da Criança têm uma importante conexão. “O que me chama a atenção no trabalho desenvolvido na Casa é essa confluência de acreditar na transformação da sociedade e de garantir os direitos das crianças e dos adolescentes. Isso também está muito presente na filosofia do judô”, afirma. Durante as aulas, realizadas às sextas-feiras, das 15h às 16h, ele já percebe mudanças na convivência entre os participantes, mesmo com o projeto ainda em seu início. Segundo o professor, confiança, disciplina, respeito aos colegas, ao sensei e às regras começam a fazer parte da rotina do dojô, fortalecendo também os vínculos entre as crianças e adolescentes.
A prática também pode contribuir diretamente para a autoestima e o amadurecimento dos participantes. Para Raphael, a vivência cotidiana dos princípios do judô ajuda cada criança a reconhecer seu próprio potencial e, ao mesmo tempo, compreender a importância do outro. “Embora o judô seja considerado uma arte individual, para mim ele é o esporte individual mais coletivo que existe, porque dependemos do outro para aprender, nos desafiar e trocar conhecimentos”, destaca. A experiência compartilhada no dojô estimula o trabalho em equipe e cria oportunidades para que os participantes desenvolvam relações baseadas no respeito, na ética e no afeto.
Os próximos passos da oficina incluem a ampliação do espaço de treinamento, com a aquisição de novas peças de tatame, o que permitirá atender um número maior de participantes. Também está sendo buscada a doação de kimonos, ou judoguis, para que as crianças possam participar de festivais e outros eventos da modalidade. O projeto prevê ainda a realização das graduações de acordo com a evolução dos alunos e, futuramente, a possibilidade de participação em competições. “Seria muito importante que eles participassem de festivais e, quem sabe um dia, de algumas competições”, afirma Raphael.
Mais do que formar atletas, o professor espera que a oficina ajude a formar pessoas capazes de conduzir a própria história. Para ele, a verdadeira transformação promovida pelo esporte começa dentro de cada indivíduo e pode se refletir na sociedade. “Eu espero ver essas crianças e esses adolescentes protagonistas de sua vida, protagonistas de sua história, construindo uma história bonita, uma história de vitória”, resume. Assim, entre quedas, aprendizados, movimentos e desafios, o judô chega à Casa da Criança como uma ferramenta de desenvolvimento e, sobretudo, como um caminho para fortalecer valores que podem acompanhar os participantes muito além do tatame.
Lidiane Recco, coordenadora do Janela Aberta, não esconde a satisfação em poder oferecer mais esta oficina aos assistidos da Casa da Criança. “É a primeira vez que temos o judô entre nossas atividades. O trabalho que o Rapha desenvolve dentro deste projeto vai ajudar muito no desenvolvimento de nossas crianças e adolescentes. Trata-se de mais uma oportunidade de aprendizado que pode ser aplicada no dia a dia deles. Estamos muito felizes”, afirma Lidiane. Ainda existem vagas aos interessados, que podem fazer a inscrição entrando em contato com a Casa da Criança, através do número (19) 3869-5654.
