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Famílias acolhedoras fazem a diferença desde os primeiros anos de vida

Os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento de uma criança. É nessa fase que ela começa a construir vínculos, descobrir o mundo ao seu redor e desenvolver sentimentos de confiança e segurança. Quando, por diferentes motivos, um bebê ou uma criança pequena não pode permanecer temporariamente com sua família de origem, o Serviço de Acolhimento Familiar da Casa da Criança e do Adolescente de Valinhos Anélio Zanuchi oferece uma alternativa que permite que essa criança continue vivendo em um ambiente familiar, cercada de cuidado, atenção e afeto.

Para um bebê, o acolhimento está nos pequenos gestos do cotidiano: atender ao choro, oferecer colo, preparar a alimentação, acompanhar uma consulta médica, dar banho, colocar para dormir e estar presente nas primeiras descobertas. É também acompanhar momentos que parecem simples, mas que ganham um significado enorme para quem participa dessa história: o primeiro sorriso, o primeiro dentinho, a primeira papinha, os primeiros passos e as primeiras palavras.

Foi justamente essa experiência que Renato José Barbati e Camila de Camargo Angeli Barbati decidiram viver. O casal ingressou no Serviço de Acolhimento Familiar em 2016, depois de conhecer o trabalho realizado em Campinas e descobrir que Valinhos havia implantado o serviço. “Decidimos entrar no acolhimento familiar em 2016, após perdermos três gestações. Já conhecíamos o serviço de acolhimento em Campinas desde 2013/2014 e tínhamos o desejo de fazer parte, mas, como era um serviço municipal e morávamos em Valinhos, não foi possível. Quando descobrimos que Valinhos começou com o serviço, fomos buscar mais informações e nos apaixonamos por essa missão”, conta Camila.

Ao longo de dez anos no serviço, Renato e Camila, que também têm uma filha de 6 anos, já acolheram cinco meninas, com idades entre 3 meses e 13 anos. A experiência com bebês começou logo após a capacitação, quando o casal foi perguntado sobre o perfil de criança que gostaria de receber. Pela rotina da família, escolheram a faixa de 0 a 4 anos. No final da última aula, surgiu o convite para acolher uma bebê de quase 3 meses, que estava em um abrigo de Jundiaí e precisava de cuidados especiais por estar abaixo do peso e da altura e já ter passado por uma internação. “Do dia para a noite, nossa vida mudou para melhor e o quartinho da ‘bagunça’ se transformou no quartinho do bebê”, recorda Camila. Com a ajuda da mãe e das tias, a família conseguiu conciliar o trabalho e os cuidados com as crianças.

Outra história que mostra a força desse vínculo é a de Santiago Vanderlei Prata e Alessandra da Silva Prata. O casal conheceu o Serviço de Acolhimento Familiar no início deste ano, quando Alessandra trabalhava em uma escola cuja proprietária já participava do serviço. A possibilidade de uma das alunas precisar ser acolhida despertou no casal o desejo de também contribuir. Quando souberam que um bebê precisava de uma família, não tiveram dúvidas. “Sempre gostamos de crianças. Pensamos: por que não um bebê? Ele precisava de ajuda e estamos no serviço para ajudar”, conta Alessandra. Assim chegou o bebê, hoje com 11 meses, que enfrentou alguns problemas de saúde no início do acolhimento, mas logo conquistou a família.

A rotina dele trouxe para a casa de Santiago e Alessandra uma sequência de descobertas. “Um bebê em casa é maravilhoso. Enche a casa de alegria e fofura. Ver cada evolução dele, sentar, engatinhar, a primeira comidinha, andar, falar… É uma alegria sem igual cada etapa de aprendizado dele”, relata Alessandra. Para Renato e Camila, a sensação é semelhante. “Não tem como explicar a alegria de receber um bebê em casa e ajudar no seu desenvolvimento. Acompanhar cada primeira vez, primeira cólica, primeiro dentinho, papinha…”, contam. São experiências diferentes, vividas por famílias diferentes, mas que se encontram em um mesmo propósito: oferecer a uma criança um ambiente seguro e afetuoso durante um período importante de sua vida.

Para Camila Forster, coordenadora do Serviço de Acolhimento Familiar, receber uma criança pequena é uma responsabilidade que também pode ser marcada por momentos de muita alegria. “É muito especial poder acolher uma criança nos primeiros anos de vida, justamente quando ela mais precisa de cuidados, de colo, de atenção e de alguém que esteja disponível para ela. É uma oportunidade de oferecer segurança e afeto em um momento delicado, sabendo que esse cuidado pode fazer diferença para toda a vida dessa criança”, afirma.

O acolhimento, porém, é temporário e não deve ser confundido com adoção. A criança permanece com a família acolhedora enquanto sua situação é acompanhada pela rede de proteção, podendo retornar à família de origem ou, quando isso não for possível, seguir para uma família adotiva. Durante todo o processo, a Casa da Criança oferece acompanhamento técnico e psicológico à família.

No fim, cada acolhimento deixa marcas em todos os envolvidos. Para as famílias, ficam as lembranças de uma criança que chegou precisando de cuidado e que, aos poucos, voltou a sorrir, brincar e descobrir o mundo. Para a criança, fica a experiência de ter encontrado, naquele momento, um colo disponível e um lugar onde pôde se sentir protegida. “Vem ser família com a gente porque é gratificante olhar como a criança chegou, como se desenvolveu e como a enviamos para sua família para sempre”, resume Renato. Alessandra também faz um convite a quem pensa em participar: “Se cada família fizer um pouquinho na vida de uma criança que está nesse processo, fará a diferença na vida dela mais no futuro”. O Serviço de Acolhimento Familiar mostra, assim, que acolher pode ser temporário, mas o cuidado, o afeto e as experiências construídas podem acompanhar uma criança por toda a vida.