Mais do que proporcionar um passeio ou um dia de diversão, o “Apadrinhamento Afetivo” busca construir vínculos que podem acompanhar crianças e adolescentes acolhidos pela Casa da Criança e do Adolescente de Valinhos Anélio Zanuchi por muitos anos. O programa aproxima os acolhidos de pessoas da comunidade dispostas a oferecer convivência, afeto, atenção e referências familiares, criando relações que vão além da rotina da instituição. É dentro desse propósito que, no dia 11 de outubro (domingo), cerca de 30 crianças e adolescentes da entidade participaram de um dia especial em uma chácara de Valinhos, em uma programação antecipada pelo Dia das Crianças.
A iniciativa foi realizada pela terceira vez por familiares e amigos ligado a Michele Contatto, integrante do Programa de “Apadrinhamento Afetivo” há pouco mais de cinco anos. A ideia surgiu inicialmente a partir de um grupo de futebol formado por familiares e amigos, que decidiu se reunir para proporcionar momentos de lazer às crianças e adolescentes acolhidos. Desde então, o encontro ganhou novas dimensões e passou a contar também com o apoio de empresários de Valinhos. Para este ano, estão sendo organizados transporte, alimentação, brinquedos infláveis e outras atividades recreativas, tudo de forma voluntária e sem finalidade comercial.
Michele e o marido participam há cerca de dez anos das ações voluntárias da Casa da Criança. Antes de se tornarem padrinhos afetivos, eles chegaram a conhecer outros programas oferecidos pela instituição, inclusive o Serviço de Acolhimento Familiar. Na época, porém, as condições da família não atendiam aos critérios necessários para acolher uma criança em casa. A experiência despertou o interesse por outras formas de participação e, quando conheceram o Programa de “Apadrinhamento Afetivo”, encontraram uma maneira de estabelecer uma relação mais próxima com uma criança.
Atualmente, o casal está com o segundo apadrinhado. O programa prevê que o padrinho ou a madrinha estabeleça uma relação de convivência com uma criança ou adolescente, sempre com a concordância e a identificação também por parte do acolhido. O contato mínimo previsto é de uma vez a cada 15 dias, mas, segundo Michele, o vínculo naturalmente faz com que a convivência se torne mais frequente. Passeios, atividades do cotidiano, momentos em família e até o acompanhamento de questões escolares podem fazer parte dessa relação.
“É uma maneira de oferecer para a criança afeto de um modo diferente daquele que ela está acostumada, ou nem está acostumada, pela sua própria experiência de vida”, explica Michele. Para ela, o objetivo é proporcionar uma relação saudável e segura, baseada na confiança e na presença: “A proposta é que o padrinho ou a madrinha se torne uma referência afetiva, como um tio, uma tia, um amigo ou uma família amiga, criando vínculos que podem permanecer mesmo depois do período de acolhimento e, em algumas situações, continuar após uma eventual adoção, caso a nova família concorde.”
Na avaliação de Michele, a experiência também transforma profundamente a família que apadrinha. O vínculo envolve não apenas o casal, mas filhos, avós, irmãos e outros familiares, ampliando a rede de convivência da criança. “A gente fala que vai oferecer para eles, mas, na verdade, quem ganha, na maior parte das vezes, somos nós como família apadrinhante”, relata. Ela destaca que a convivência traz experiências de alegria, superação e também desafios, contribuindo para que todos aprendam sobre afeto, respeito e resiliência.
O encontro realizado em 11 de outubro representa justamente uma extensão desse propósito. Em um domingo dedicado à convivência, cerca de 30 crianças e adolescentes tiveram a oportunidade de sair da rotina, passar o dia em uma chácara e participar de atividades preparadas especialmente para elas. Para Michele, proporcionar experiências de pertencimento é uma das formas de contribuir para a formação dessas crianças. “Toda criança que se sente acolhida, que se sente amada, que se sente bem-vinda, pertencente a algum lugar”, afirma, destacando a importância de a sociedade participar da construção de uma rede de proteção e afeto.
O programa “Apadrinhamento Afetivo” tem como objetivo motivar a sociedade a participar e criar vínculos individualizados e duradouros com os afilhados acolhidos. A convivência, mesmo que pontual, em feriados, eventos familiares, passeios e contatos remotos, deve ser contínua para estimular experiências sociais, culturais e contato familiar e comunitário. A Casa da Criança convida novos interessados a participar da formação para o “Apadrinhamento Afetivo”. Para mais informações, basta entrar em contato com a instituição.
