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Janela Aberta há 20 anos transformando vidas

O Janela Aberta, desenvolvido pela Casa da Criança e do Adolescente Anélio Zanuchi, completa 20 anos em 2026, consolidando-se como um importante espaço de convivência e formação sociocultural para crianças e adolescentes de Valinhos. Criado oficialmente em 2006, o serviço tem suas raízes em iniciativas anteriores voltadas à comunidade, especialmente por meio de ações sociais lideradas por Anélio Zanuchi, que já desenvolvia trabalhos de apoio em bairros da cidade.

Um dos personagens centrais dessa trajetória é o professor de capoeira Paulo do Nascimento, o Paulinho, responsável por dar início às primeiras atividades com crianças antes mesmo da formalização do projeto. “Eu iniciei o trabalho com a capoeira com as crianças na Casa da Criança um pouco antes de 2006. A gente começou com cerca de 40 crianças, ainda em um espaço improvisado, mas com muita vontade de fazer acontecer”, relembra o professor, que teve contato com Anélio ainda na juventude, ao acompanhar ações sociais como a distribuição de sopa em bairros da cidade de Valinhos. “O Anélio foi uma faculdade de vida pra mim. Tudo que a gente construiu ali teve muito da dedicação dele e desse olhar humano que ele sempre teve”, destaca.

Com o passar do tempo, a estrutura foi sendo ampliada, incluindo a construção da quadra, que possibilitou a expansão das atividades. “Quando surgiu a quadra, foi uma bênção. A capoeira começou a crescer ainda mais, com apresentações pela cidade e participação das crianças em diversos eventos”, conta Paulinho. A partir de 2006, com a criação oficial do Janela Aberta, novas oficinas foram incorporadas e o projeto ganhou força. “Foi aí que o projeto decolou, com várias atividades e uma equipe que foi se formando. De lá pra cá, só tem crescido”, completa.

Ao longo dos anos, o perfil do público atendido também foi se transformando, acompanhando as demandas da comunidade. Hoje, o Janela Aberta concentra suas ações em crianças e adolescentes, oferecendo oficinas nas áreas de música, dança e artes. “A gente foi identificando a necessidade e esse público foi mudando. Foram chegando muitas crianças e adolescentes, e o serviço foi se adaptando a essa realidade”, explica a coordenadora Lidiane Recco, que atua há 16 anos na instituição.

O serviço se consolidou como um espaço de oportunidades, permitindo que os participantes tenham acesso a experiências diversas. “Eu sempre digo que é uma janela de possibilidades. Como uma criança vai saber se gosta de violão ou tem aptidão para a música se ela nunca teve a oportunidade de experimentar?”, ressalta Lidiane. Atualmente, são oferecidas oficinas como violão, balé, teclado, dança e atividades artísticas, estimulando o desenvolvimento integral dos atendidos.

Além das atividades regulares, o Janela Aberta também promove eventos abertos à comunidade, como festas juninas e mostras culturais, reunindo grande público. “A gente consegue colocar mais de 200 pessoas na quadra em eventos como a festa junina ou a mostra cultural. É uma forma de oferecer acesso gratuito à cultura e integrar as famílias ao nosso espaço”, afirma a coordenadora.

A história do projeto também se reflete na vida de quem passou por ele e hoje vê uma nova geração dar continuidade a esse vínculo. É o caso de Geisy do Couto, atualmente com 33 anos, uma das primeiras inscritas no serviço. Ela ingressou no Janela Aberta aos 13 anos e participou das oficinas de violão por cerca de três anos. “Foi um grande aprendizado, eu gostei muito. Aprendi a tocar violão, participei de apresentações e guardo isso com muito carinho”, relembra.

Hoje, duas décadas depois, é o filho dela, Lorenzo, de oito anos, quem frequenta o projeto, carregando consigo um símbolo afetivo dessa história. “Ele é apaixonado por uma camiseta que eu mesma usava quando participava. Para ele, é como um uniforme, ele veste com orgulho e não quer tirar”, conta Geisy. A peça, preservada pela família ao longo dos anos, ganhou um novo significado ao atravessar gerações. “Tem um valor emocional muito grande, tanto para mim quanto para ele”, completa.

Outro destaque do Janela Aberta é o fortalecimento do sentimento de pertencimento entre os participantes. Segundo Lidiane, o espaço é reconhecido pelas próprias crianças e adolescentes como um ambiente de referência. “Eles vêm em grupo, passam nas casas uns dos outros e chegam aqui juntos. Eles se sentem pertencentes, sabem que esse espaço é deles”, afirma. Duas décadas após sua criação, o Janela Aberta segue ampliando oportunidades e fortalecendo vínculos, mantendo viva a essência comunitária construída desde suas origens.